Revista Eletrônica de Ciências
São Carlos,  Número 49, Junho 2011

O feijãozinho também cresce em ambiente virtual

 

Rosemara Lopes
Programa de Pós-Graduação em Educação – UNESP/FCT

Eloi Feitosa
Departamento de Física – UNESP/IBILCE

 

 

Neste artigo, apresentamos o ambiente virtual como possibilidade para a realização de práticas experimentais relativas aos conteúdos curriculares dos primeiros anos escolares. Justificamos, assim, o título, no qual fazemos referência ao clássico experimento do grão de feijão no copo com algodão umedecido.

Levando em conta a familiaridade das crianças nascidas na geração digital com o computador, as características próprias do desenvolvimento cognitivo de crianças com idade entre cinco e dez anos e a potencialidade pedagógica das simulações virtuais e, aliando a esses fatores a experiência adquirida desde 2007 com esses recursos em projetos de inclusão de tecnologia em escolas da rede pública da região de São José do Rio Preto (SP), criamos um material de apoio para o professor pedagogo usar simulações virtuais disponíveis no sítio BBC Science Clips (1) nos primeiros anos escolares .

O material de apoio para uso de simulações virtuais da BBC Science Clips contém tradução de palavras, frases e textos curtos em inglês, descrição das “ferramentas” e orientações quanto ao funcionamento da simulação. Um artigo relativo à elaboração desse material foi publicado em 2009 nos Anais do II Simpósio de Comunicação, Tecnologia e Educação Cidadã, sob o título “Novas linguagens na escola: material didático interativo para Ciências na Educação Infantil e no Ensino Fundamental” (2). Na Figura 1, observamos a simulação do crescimento de uma planta, que requer essencialmente água e luz solar para se desenvolver e florir.

 

Figura 1 – Janela inicial da simulação Growing Plants (Cultivando Plantas).

As simulações do site da BBC diferenciam-se de outras disponíveis em portais educacionais nacionais, tais como Rede Internacional Virtual de Educação (RIVED), não somente pelas cores, formas e movimentos que as tornam mais atrativas, mas pela interação aluno-software, embora mantenham traços de tutoriais, ao testar o conhecimento do aluno por meio de perguntas e respostas (VALENTE, 1999), conforme verificado na Figura 2.

 

Figura 2 – Janela com questão de múltipla escola.

 

Simulações virtuais como Growing Plants (Cultivando Plantas) podem ser usadas pelos professores dos primeiros anos e até mesmo da Educação Infantil. Há algum tempo, conversamos com uma professora de uma escola municipal que usou seu próprio notebook e animações virtuais para explicar aos seus alunos de cinco anos de idade o universo e seus astros. No blog Física Mirim (3), animações, simulações e jogos selecionados são disponibilizados ao professor da rede e demais usuários da Internet.

Se o recurso existe e pode contribuir para tornar o ensino de Ciências mais interessante aos alunos, porque continuar usando apenas livros didáticos? Não pretendemos criticar a mídia impressa. Nosso questionamento é em relação à manutenção de uma prática que há tempos se mantém inalterada, desconsidera o perfil do aluno atual e pode não favorecer o gosto do aluno pelas ciências naturais.

Projetos de extensão universitária e de ensino que realizamos desde 2007 (4) permitem afirmar que Ciências Naturais não preocupam o professor da escola pública que leciona nos primeiros anos escolares. O aluno não tem dificuldade para aprender Ciências e não há avaliações externas sobre a aprendizagem dos conteúdos curriculares dessa área. Ademais, a formação inicial desse professor, geralmente Licenciatura em Pedagogia, não lhe permite avançar no campo do ensino de Ciências, nem mesmo em direção ao proposto pelos Parâmetros Nacionais Curriculares (BRASIL, 1997).

Estes e outros fatores contribuem para o entendimento de que é preciso renovar o ensino de Ciências nos primeiros anos escolares concebendo as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação como alternativa pedagógica, não para a manutenção de antigas práticas, o que seria subutilizá-las, mas para a superação das mesmas, a partir da compreensão de que a formação plena do cidadão não prescinde das Ciências nos primeiros anos e de que esses conhecimentos podem fazer a diferença na relação do aluno com os conceitos de Física, Química e Biologia no Ensino Médio.

Referências

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: ciências naturais. Brasília: MEC/SEF, 1997.

VALENTE, J. A. (Org.). O computador na sociedade do conhecimento. Campinas: UNICAMP/NIED, 1999.

Leitura sugerida

HOLT, J. Aprendendo o tempo todo: como as crianças aprendem sem ser ensinadas. Campinas: Verus Editora, 2006.

 

1 BBC Science Clips: http://www.bbc.co.uk/schools/scienceclips/ages/5_6/science_5_6.shtml. Acessado em: 24 fev. 2011.

2 Anais Lecotec 2009: http://www2.faac.unesp.br/pesquisa/lecotec/eventos/lecotec2009/anais.html. Acessado em: 24 fev. 2011.

3 Blog Física Mirim: http://fisicamirim.blogspot.com/. Acessado em: 24 fev. 2011.

4 Grupo Fisicanimada. Homepage http://www.fisicanimada.net.br. Acessado em: 24 fev. 2011.