Revista Eletrônica de Ciências

São Carlos, 
Número 41, Janeiro 2008 Educação

 

A hidroponia como recurso interdisciplinar na escola

 

Carlos Alan Couto dos Santos

 

 

Introdução

Diante da necessidade de se criar um clima de motivação e ao mesmo tempo apresentar aos alunos conceitos relevantes, percebemos a possibilidade de se trabalhar de forma interdisciplinar as áreas das Ciências Naturais (Biologia, Química e Física) e Redação, utilizando para isso um laboratório de hidroponia.

 Além do aspecto interdisciplinar, esse projeto permite aos alunos vivenciar o plantio de hortaliças e acompanhar suas etapas de desenvolvimento, estimulando a capacidade de observação e o registro científico, enfatizando ainda, a produção com técnicas hidropônicas, suas vantagens e desvantagens, bem como a importância dos alimentos naturais e a utilização da Internet como meio de aquisição de informações e divulgação de conhecimento. Ao mesmo tempo, o aluno poderá compreender as conexões das quatro áreas do conhecimento sentindo-se mais atraído pelos conteúdos apresentados.  

 A importância da interdisciplinaridade na escola

 A interdisciplinaridade caracteriza-se pela intensidade das trocas entre os especialistas e pelo grau de integração real das disciplinas no interior de um mesmo projeto de pesquisa. É o caso do Projeto Pedagógico que está sendo realizado no Colégio da Faculdade Adventista na cidade de Cachoeira, na Bahia.

 Segundo Fazenda (1993), "Interdisciplinaridade não é ciência, nem ciência das ciências, mas é o ponto de encontro entre o movimento de renovação da atitude frente aos problemas de ensino e pesquisa e a aceleração do conhecimento científico. Também não é uma panacéia que garantirá um ensino adequado, ou um saber unificado, mas um ponto de vista, que permite uma reflexão aprofundada, crítica e salutar sobre o funcionamento do mesmo. Podemos dizer que é a possibilidade de eliminação do hiato existente entre a atividade profissional e a formação escolar".

 Na maioria das vezes, os conteúdos são trabalhados separadamente. E muitas vezes tornando a prática pedagógica enfadonha tantos para os alunos como para educadores. Muitos educadores sentem dificuldade de colocar em prática a interdisciplinaridade, mesmo reconhecendo a importância dela dentro do processo ensino-aprendizagem. Então por que não mudar?

 Com o objetivo de criar um ambiente descontraído, e academicamente favorável, utilizamos um laboratório de hidroponia.

  A palavra hidroponia vem do grego dos radicais gregos hydro = água e ponos = trabalho. Apesar de ser uma técnica relativamente muito antiga, o termo hidroponia só foi utilizado pela primeira vez pelo Dr. W. F. Gerke, em 1930.

 O Laboratório do Colégio Adventista foi construído na área da própria escola. Utilizamos o método  NFT (Nutrient Flow Technique) que  significa Técnica de Fluxo Laminar. Nesta técnica, a solução corre pelo perfil numa lâmina fina de líquido para alimentar a planta e retorna ao reservatório. A solução é reaproveitada e ajustada quando necessário. Dispensa o uso de substrato. A solução nutritiva tem um controle rigoroso para manter suas características. Periodicamente é feito um monitoramento de pH e de concentração de nutrientes, assim, as plantas crescem sob as melhores condições possíveis, esse monitoramento é feito pelos próprios alunos.

 Podem ser plantados brócolis, feijão-vagem, repolho, couve, salsa, melão, agrião, pepino, berinjela, pimentão, tomate, arroz, morango, forrageiras para alimentação animal, mudas de árvores, plantas ornamentais, entre outras espécies; teoricamente, qualquer planta pode ser cultivada no sistema.

  Esse sistema de cultivo permite trabalhar diferentes conteúdos como: Eletricidade, Hidrostática, em Física; nutrição mineral das plantas, anatomia e Fisiologia vegetal em Biologia.

  Em Química trabalhamos os temas: funções químicas, soluções, equilíbrio químico, condutividade elétrica da solução nutritiva, concentração etc.

 Na disciplina de Redação os alunos serão estimulados a escrever sobre a importância da hidroponia no combate a fome bem como suas vantagens e desvantagens dentro do processo produtivo. Aprenderão também a elaborar textos com os resultados retirados de pesquisas realizadas pelos próprios alunos sob orientação dos professores.

  O simples fato de estar fora da sala de aula, ao ar livre, quebrando a rotina das aulas expositivas é que faz a diferença. Os conteúdos serão trabalhados de forma mais atraente. O mais importante é que o aluno terá a oportunidade experimentar, sendo estimulado à pesquisa.

 Trata-se de uma ferramenta fantástica, de custo relativamente baixo, que os professores do ensino médio poderão trabalhar em suas escolas.

 Leia mais sobre este assunto em:

www.adventista.edu.br 

FAZENDA, I.C.A. Integração e Interdisciplinaridade no Ensino Brasileiro. São Paulo, Edições Loyola.