Revista Eletrônica de Ciências
São Carlos,  .
Número 28, Setembro / Outubro / Novembro de 2004 Artigo

O Sistema de Captação, Tratamento e Distribuição de Água em Barretos

Fabiano Ribeiro de Oliveira
Alberice A. Silveira
Tatiana de Lima Gomes
Saulo Antônio da Silva
Daiane Martins Galvão
Alunos do curso de Licenciatura em Química e Física da UNIFEB - Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos

A água é uma substância muito abundante da natureza. Ela cobre mais de 70% da superfície terrestre, sendo 96% salgada, cerca de 4% é doce (onde 2% está presa nas calotas polares e geleiras e apenas 2% está distribuída na atmosfera, nos rios, lagos e também no solo, sub-solo). Verifica-se, pois, que apenas 0,01% da água do Planeta está realmente disponível para uso humano, na superfície ou em profundidades que permitem a exploração.

A água é indispensável à vida, podendo-se dizer que, assim, sem água não há vida. Como produto indispensável à manutenção da vida no planeta, a água tem despertado o interesse dos mais diversos setores, motivando-os a elaborarem modelos de uso e gestão capazes de compatibilizar as demandas crescentes com a relativa escassez do produto na qualidade desejada.

A cidade de Barretos está localizada no norte do Estado de São Paulo, a 20° 33’ de latitude sul e 48° 30’de longitude oeste, a 420 km da capital e tem aproximadamente 106 mil habitantes. Tem posição de destaque nos agro-negócios, particularmente na criação e abate de gado bovino e na tradicional Festa do Peão de Boiadeiro.

   
Acima, vistas aéreas do município e do centro de Barretos (SP); À direita, sua bandeira.
 
A região dos Lagos é o parque público mais importante de Barretos.
 
À esquerda, a arena projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer; À direita, uma das provas da Festa do Peão de Boiadeiro. Esta festa faz com que a cidade, que tem pouco mais de 100 mil habitantes (dados de junho de 2001), receba até um milhão de visitantes.
 
À esquerda, a igreja do Rosário;
À direita, a praça da Primavera.

A demanda por água da população urbana é atendida por uma autarquia municipal, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Barretos, SAAEB. A captação é feita nos mananciais: Córrego do Aleixo e Ribeirão Pitangueiras, que atendem a 80% do consumo. Os 20% restantes provêm de dois poços profundos. Um está situado no Bairro Dom Bosco e outro próximo da Via das Comitivas, a estrada de acesso do centro da cidade ao Parque do Peão, onde se realiza a festa anual. Também há dois poços semi-artesianos: um no bairro São Francisco e outro no bairro Christiano de Carvalho.

A água dos poços não requer tratamento. É feita a adição de cloro para desinfecção, devido a microorganismos que podem contaminá-la na rede de distribuição e nos reservatórios domésticos. Também é feita a adição de flúor, visando a boa saúde bucal da população. A água proveniente dos mananciais recebe o tratamento convencional, que consiste na adição dos reagentes alcalinizantes (hidróxido de cálcio, popularmente conhecido como a cal) e coagulantes (sulfato de alumínio ou ferro). A água em contato com o ar é ligeiramente ácida, devido ao gás carbônico dissolvido nela, daí a necessidade de neutralização. A adição da cal confere ainda a alcalinidade necessária para a ação dos coagulantes.

O sulfato de alumínio é um reagente coagulante capaz de produzir hidróxidos gelatinosos insolúveis e é empregado para remoção de impurezas que se encontram em suspensão fina, em estado coloidal ou em solução. Suas funções principais são desestabilizar, agregar e aderir os colóides para transformá-los em coágulos. A quantidade dos reagentes é determinada de acordo com a turbidez e coloração a serem removidas da água, mediante a testes de coagulação e floculação. Depois de receber os reagente na câmara de mistura rápida, a água vai para as chicanas ou câmaras de mistura lenta ocorre o crescimento, sob agitação lenta, dos coágulos de hidróxido de alumínio, que formam flocos. Com a continuidade da agitação, os flocos tendem a aderir uns aos outros, formando partículas mais pesadas, passíveis de decantação. Após a formação das partículas nas chicanas, a água segue para os decantadores ou tanques de decantação, onde acontece a separação das partículas (os flocos) que, por ação da gravidade, tendem a cair e depositar-se no fundo dos tanques de decantação.

Após a decantação, a água passa por um processo de filtração, que tem por objetivo a retenção física de partículas e microorganismos que não foram removidos no decantador. Na filtração ocorre o processo de filtração e adsorção, isso é, adesão das impurezas nos meios porosos do leito. Os filtros são compostos por múltiplas camadas superpostas de pedras britadas, areia e carvão (ou antracito). Depois de passar pela filtração, a água passa pela cloração, isto é, aplicação de cloro para desinfecção, visando a eliminação de todos os microorganismo patogênicos da água e também na desinfecção das tubulações de distribuição e dos reservatórios. Para efeitos fisiológicos benéficos, conforme a legislação, a água de Barretos também recebe aplicação de flúor. A fluoretação da água previne a decomposição do esmalte dos dentes e auxilia na produção natural de dentes mais resistentes. Após todo o processo de tratamento da água, é feito a correção do seu pH, que deve estar ligeiramente alcalino para prevenir a corrosão precoce dos encanamentos. Finalmente a água é armazenada para a distribuição de toda a população.


Esquema de uma estação de tratamentode água.

Todo controle de qualidade da água é responsabilidade do SAAEB juntamente com a Vigilância Sanitária e CETESB. O controle de qualidade da água de Barretos passa por rigorosas análises físico-químicas e microbiológicas. As análises físico-químicas mais comumente utilizadas no tratamento de água e feitas rotineiramente no SAAEB são:

As análises microbiológicas tem o objetivo de certificar que a água está isenta de microorganismos causadores de doenças. Como o intestino humano é habitado por vários outros microorganismos não patogênicos de vários gêneros e espécies, identifica-se o Grupo Coliforme, que indica a presença de microorganismos patogênicos na água de abastecimento. O Grupo Coliforme é divido em três subgrupos, que indicam a contaminação fecal da água de abastecimento:

Os métodos utilizados nas análises microbiológicas são:

Para avaliar as condições sanitárias dos sistemas de abastecimento público de água, é recomendado que em 20% das amostras analisadas (por mês, semestre ou ano), a contagem de bactérias heterotróficas não exceda a 500 Unidades Formadoras de Colônias (UFC) por mL. Todas as análises físico-químicas e microbiológicas realizadas devem estar de acordo com os padrões de potabilidade da água para abastecimento (definidos pela portaria 1469/2000 do Ministério da Saúde).

A água é um bem extremamente precioso para a humanidade. É preciso que todos tenhamos isto bem claro em nossas mentes. Nesta região, o tratamento da água captada em mananciais lida apenas com poluentes naturais, que são pouco tóxicos e mais fáceis de serem eliminados. Entretanto, a poluição dos rios por resíduos industriais e também por descaso das populações urbanas, está gerando um enorme problema para as comunidades que usarão posteriormente esta água, pois tratamentos simples (como os que são feitos atualmente) não serão suficientes. A água, um bem natural, abundante e absolutamente necessário, pode se tornar escasso e extremamente caro.

Para os brasileiros, habituados com a fartura deste recurso natural, a escassez de água pode parecer um problema remoto. Infelizmente, esta situação é ilusória. O descuido e a poluição podem rapidamente encarecer o tratamento da água, dificultando o acesso da população. Atualmente, a população africana, por exemplo, sofre as conseqüências combinadas de pouca água superficial limpa, calor, pobreza, subdesenvolvimento e guerras: já está convivendo com escassez de água. Basta observar nas reportagens de televisão, a absoluta falta de vegetação e de umidade na natureza.

A humanidade precisa que cada um de nós cumpra a sua parte e ajude a preservar a água do Planeta Azul!

© Revista Eletrônica de Ciências - Número 28 - Setembro / Outubro / Novembro de 2004.