| Revista Eletrônica de Ciências | ||
| São Carlos,
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Número 26, Maio de 2004 | Artigo |
Rosimari A. Viveiro Ruy
Mestranda em
Educação/Educação Ambiental -
UNESP de Rio Claro
Nas últimas décadas, vêm se intensificando as preocupações inerentes à temática ambiental e, concomitantemente, as iniciativas dos variados setores da sociedade para o desenvolvimento de atividades, projetos e congêneres no intuito de educar as comunidades, procurando sensibilizá-las para as questões ambientais, e mobilizá-las para a modificação de atitudes nocivas e a apropriação de posturas benéficas ao equilíbrio ambiental.
As idéias
ligadas à temática ambiental não
surgiram de um dia para outro. Numerosos fatos de âmbito
internacional foram delineando o que conhecemos hoje por
Educação Ambiental (EA). Ilustrativamente, podemos citar
alguns desses acontecimentos:

Segundo VASCONCELLOS (1997), a presença, em
todas as
práticas educativas, da reflexão sobre as
relações dos seres entre si, do ser humano com ele mesmo
e do ser humano com seus semelhantes é condição
imprescindível para que a Educação Ambiental
ocorra. Dentro desse contexto, sobressaem-se as escolas, como
espaços privilegiados na implementação de
atividades que propiciem essa reflexão, pois isso necessita de
atividades de sala de aula e atividades de campo, com
ações orientadas em projetos e em processos de
participação que levem à autoconfiança,
à
atitudes positivas e ao comprometimento pessoal com a
proteção ambiental implementados de modo interdisciplinar
(DIAS,
1992).
Entretanto, não raramente a escola atua como mantenedora e reprodutora de uma cultura que é predatória ao ambiente. Nesse caso, as reflexões que dão início à implementação da Educação Ambiental devem contemplar aspectos que não apenas possam gerar alternativas para a superação desse quadro, mas que o invertam, de modo a produzir conseqüências benéficas (ANDRADE, 2000), favorecendo a paulatina compreensão global da fundamental importância de todas as formas de vida coexistentes em nosso planeta, do meio em que estão inseridas, e o desenvolvimento do respeito mútuo entre todos os diferentes membros de nossa espécie (CURRIE, 1998).
Esse processo de
sensibilização da comunidade escolar
pode fomentar iniciativas que transcendam o ambiente escolar, atingindo
tanto o bairro no qual a escola está inserida como comunidades
mais afastadas nas quais residam alunos, professores e
funcionários, potenciais multiplicadores de
informações e atividades relacionadas à
Educação Ambiental implementada na escola. SOUZA (2000)
afirma, inclusive, que o estreitamento das relações intra
e extra-escolar é bastante útil na
conservação do ambiente, principalmente o ambiente da
escola. Os participantes do Encontro Nacional de Políticas e
Metodologias para a EA (MEC/SEMAM, 1991) sugeriram, entre outras
propostas, que os trabalhos relacionados à EA na escola devem
ter, como objetivos, a sensibilização e a
conscientização; buscar uma mudança
comportamental; formar um cidadão mais atuante; (...)
sensibilizar o professor, principal agente promotor da EA; (...) criar
condições para que, no ensino formal, a EA seja um
processo contínuo e permanente, através de
ações interdisciplinares globalizantes e da
instrumentação dos professores; procurar a
integração entre escola e comunidade, objetivando a
proteção ambiental em harmonia com o desenvolvimento
sustentado... (DIAS,
1992).

Implementar a Educação Ambiental nas escolas tem se mostrado uma tarefa exaustiva. Existem grandes dificuldades nas atividades de sensibilização e formação, na implantação de atividades e projetos e, principalmente, na manutenção e continuidade dos já existentes. Segundo ANDRADE (2000), “... fatores como o tamanho da escola, número de alunos e de professores, predisposição destes professores em passar por um processo de treinamento, vontade da diretoria de realmente implementar um projeto ambiental que vá alterar a rotina na escola, etc, além de fatores resultantes da integração dos acima citados e ainda outros, podem servir como obstáculos à implementação da Educação Ambiental”. Dado que a Educação Ambiental não se dá por atividades pontuais, mas por toda uma mudança de paradigmas que exige uma contínua reflexão e apropriação dos valores que remetem a ela, as dificuldades enfrentadas assumem características ainda mais contundentes. A Conferência de Tbilisi (1977) já demonstrava as preocupações existentes a esse respeito, mencionando, em um dos pontos da recomendação nº 21, que deveriam ser efetuadas pesquisas sobre os obstáculos, inerentes ao comportamento ambiental, que se opõem às modificações dos conceitos, valores e atitudes das pessoas (DIAS, 1992).
Diante de tantas pistas para uma implementação efetiva da EA nas escolas, evidentemente, “posicionamo-nos por um processo de implementação que não seja hierárquico, agressivo, competitivo e exclusivista, mas que seja levado adiante fundamentado pela cooperação, participação e pela geração de autonomia dos atores envolvidos” (ANDRADE, 2000). Projetos impostos por pequenos grupos ou atividades isoladas, gerenciadas por apenas alguns indivíduos da comunidade escolar – como um projeto de coleta seletiva no qual a única participação dos discentes seja jogar o lixo em latões separados, envolvendo apenas um professor coordenador – não são capazes de produzir a mudança de mentalidade necessária para que a atitude de reduzir o consumo, reutilizar e reciclar resíduos sólidos se estabeleça e transcenda para além do ambiente escolar. Portanto, deve-se buscar alternativas que promovam uma contínua reflexão que culmine na metanóia (mudança de mentalidade); apenas dessa forma, conseguiremos implementar, em nossas escolas, a verdadeira Educação Ambiental, com atividades e projetos não meramente ilustrativos, mas fruto da ânsia de toda a comunidade escolar em construir um futuro no qual possamos viver em um ambiente equilibrado, em harmonia com o meio, com os outros seres vivos e com nossos semelhantes.
© Revista Eletrônica de Ciências - Número 26 - Maio de 2004.